Um recente levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), via SINAPI, revelou que a Paraíba apresentou, no mês de setembro, o maior custo médio por metro quadrado na construção civil entre todos os estados nordestinos: R$ 1.817,93, considerando materiais e mão de obra.A elevação mensal foi de 3,35%, muito acima da média regional, que ficou em 0,66%. No acumulado do ano, o aumento atinge 5,27%, enquanto nos últimos 12 meses o índice subiu 6,86%.
Por que esse custo está mais alto na Paraíba?
Vários fatores contribuem para que o custo de construção na Paraíba supere o de outros estados nordestinos:
1. Aumento dos insumos – mesmo que o percentual de alta dos materiais (0,38%) seja inferior ao da mão de obra (0,65%), os dois componentes pesam no cálculo final. Também sabemos que o monopólio de alguns produtos que abastecem a construção civil elevam os custos.
2. Mão de obra – a escassez de acordos coletivos no mês contribuiu para reajustes salariais, impactando diretamente nos custos da construção, bem como a falta de profissionais preparados para atender a alta demanda de construções.
3. Logística e transporte – embora não enfatizado no levantamento, custos de transporte, armazenagem e distribuição de insumos costumam aumentar os preços finais em regiões que dependem de importações estaduais ou interestaduais.
4. Demanda local – crescimento urbano, demanda por imóveis e expectativas de valorização podem induzir empreendedores a aceitar margens menores ou encarar custos maiores, elevando o preço médio.
Impactos sobre o mercado imobiliário
O fato de a Paraíba ter o metro quadrado mais caro do Nordeste segundo o IBGE, acarreta consequências variadas para agentes do mercado, incorporadoras, construtoras, investidores, compradores e poder público.
Possíveis cenários futuros
• Ajuste de projeto e custos: construtoras poderão buscar inovações ou alternativas mais econômicas de materiais, métodos construtivos ou mão de obra para reduzir custos sem comprometer a qualidade.
• Demanda por imóveis compactos: imóveis de menor metragem ou com divisões mais otimizadas poderão ganhar participação de mercado, respondendo a uma demanda que busca menor preço absoluto.
• Valorização imobiliária contínua: regiões próximas a centros urbanos bem localizados, com infraestrutura de transporte e serviços, têm mais chances de ver seus imóveis valorizarem-se mais rapidamente.
• Pressão sobre a habitação popular: se os subsídios públicos ficarem defasados ou não acompanharem o aumento dos custos, a construção de habitação social ou com preços acessíveis pode ficar prejudicada.
Comparativo com o Brasil
O custo médio no Brasil subiu de R$ 1.863,00 em agosto para R$ 1.872,24 em setembro. Apesar de esse valor ser superior ao da Paraíba, é importante destacar que o custo nacional engloba regiões com custos de construção maiores ainda, como Sudeste e Sul, onde a infraestrutura, urbanização e demanda costumam elevar os preços. Também, há diferenças significativas entre capitais e interiores.
Conclusão
A liderança da Paraíba no ranking de custos por metro quadrado no Nordeste evidencia tanto os desafios quanto as oportunidades no mercado imobiliário local. Enquanto os elevados custos podem dificultar projetos de menor escala ou mais populares, eles também indicam potencial de valorização e retorno para quem investir com planejamento, considerando localização, inovação, eficiência e demanda.
Para que o mercado imobiliário acompanhe esse cenário, será fundamental a atuação conjunta dos setores público e privado: políticas que atenúem custos (como incentivo a materiais locais, transporte ou mão de obra especializada), e ajustes estratégicos por parte de construtoras para equilibrar preço, qualidade e demanda.